Como é feita a sua prancha na fábrica da Sea Club?
Todo mundo gosta da sensação de estrear uma prancha nova. Mas, antes de chegar ao mar, cada prancha passa por uma série de escolhas que influenciam diretamente sua leveza, resistência, flexibilidade, aparência e desempenho.
Na Sea Club Boards, o surfista pode participar desse processo e definir detalhes importantes do projeto: as medidas, o shape, o formato da rabeta, o tipo de bloco, a tecnologia de construção, o sistema de quilhas, a pintura e o acabamento final.
Mas você sabe quais opções existem — e como cada uma delas pode mudar a sua experiência no surf?
Do bloco ao mar: as principais etapas
De forma geral, a fabricação de uma prancha envolve algumas etapas fundamentais:
- Escolha do modelo e das medidas;
- Seleção do bloco de espuma;
- Shape do bloco;
- Instalação da longarina, quando aplicável;
- Laminação com fibra de vidro, carbono ou outro tecido;
- Aplicação de pigmentos ou pintura;
- Instalação das caixas de quilhas e acessórios;
- Aplicação da camada de acabamento;
- Lixamento, polimento e inspeção final.
Cada etapa exige conhecimento técnico e cuidado. Pequenas diferenças na construção podem alterar a resposta da prancha, seu peso, sua flexibilidade e sua durabilidade.
Os principais sistemas de construção
Sistema convencional: poliuretano e resina poliéster
O sistema convencional utiliza um bloco de poliuretano, conhecido como PU, geralmente com uma longarina central de madeira ou outro material estrutural. Depois do shape, o bloco é revestido com tecido de fibra de vidro e laminado com resina poliéster.
Essa é uma das construções mais tradicionais e utilizadas no surf mundial. Sua popularidade está ligada à sensação clássica, à versatilidade de acabamento e à possibilidade de desenvolver diferentes tipos de shapes e pinturas.
Principais características
- Sensação tradicional de surf;
- Boa resposta e flexibilidade;
- Grande variedade de opções de shape;
- Possibilidade de diferentes pinturas e acabamentos;
- Processo de produção bastante conhecido;
- Manutenção e reparos amplamente difundidos.
A resina poliéster, porém, apresenta menor resistência a impactos do que algumas tecnologias mais recentes. Por isso, a prancha convencional exige cuidado no transporte, no armazenamento e no contato com superfícies duras.
Sistema EPS: leveza, flutuação e resina epóxi
EPS é a sigla para Poliestireno Expandido, material conhecido popularmente como isopor. O bloco de EPS é shapeado e depois revestido com fibra de vidro e resina epóxi.
Como o EPS possui grande quantidade de ar em sua estrutura, essa construção pode resultar em uma prancha leve e com boa flutuação. No entanto, a flutuação final não depende apenas do tipo de espuma: as medidas, o volume e a densidade do bloco também são determinantes.
A resina epóxi possui maior resistência estrutural e tende a suportar melhor pequenos impactos e esforços repetitivos, quando comparada à resina poliéster.
Principais características
- Leveza;
- Boa flutuação;
- Maior resistência estrutural;
- Boa durabilidade;
- Resposta rápida;
- Desempenho consistente em diferentes condições.
Um ponto importante: reparos em pranchas laminadas com epóxi devem ser feitos com materiais compatíveis, preferencialmente utilizando resina epóxi. O uso inadequado de resina poliéster pode comprometer a aderência e a qualidade do reparo.
Sistema Sea Club Epoxy: PU com resina epóxi
O sistema Sea Club Epoxy utiliza um bloco de poliuretano revestido com fibra de vidro e resina epóxi.
Essa combinação reúne características conhecidas do bloco PU com as propriedades estruturais da resina epóxi. O resultado é uma prancha que mantém uma sensação próxima à construção convencional, mas com maior resistência e possibilidade de oferecer boa relação entre peso, flexibilidade e durabilidade.
Principais características
- Sensação próxima à prancha convencional;
- Maior resistência a impactos;
- Boa flexibilidade;
- Durabilidade aprimorada;
- Possibilidade de construção leve;
- Compatibilidade com diferentes modelos de prancha.
É uma alternativa interessante para surfistas que gostam da resposta do poliuretano, mas procuram uma construção mais resistente.
Sistema 100% carbono: leveza e resistência
A construção em 100% carbono utiliza um núcleo de XPS — Poliestireno Extrudado — de alta densidade, com ou sem uma longarina especial, revestido com tecido de carbono e resina epóxi.
O carbono possui alta resistência e excelente relação entre rigidez e peso. Combinado a um núcleo adequado e a uma laminação bem executada, pode resultar em uma prancha extremamente leve, resistente e responsiva.
Essa tecnologia pode ser utilizada em diferentes modelos, desde pranchas pequenas até designs maiores, dependendo do projeto estrutural definido pelo shaper.
Principais características
- Baixo peso;
- Alta resistência estrutural;
- Resposta rápida;
- Facilidade de transporte;
- Boa durabilidade quando bem cuidada;
- Excelente relação entre desempenho e longevidade.
A sensação de uma prancha de carbono pode ser mais direta e reativa. Por isso, além de resistência, essa construção também pode modificar a maneira como a prancha responde à pressão dos pés e às mudanças de direção.
Como nos demais sistemas com resina epóxi, os reparos devem ser realizados com materiais compatíveis.
Qual sistema de construção escolher?
A melhor construção depende do seu estilo de surf e das prioridades para a prancha.
A construção convencional pode ser indicada para quem busca:
- Sensação clássica;
- Flexibilidade tradicional;
- Grande liberdade de acabamento;
- Fácil acesso a reparos;
- Uma prancha para uso cotidiano.
O EPS com epóxi pode ser interessante para quem procura:
- Leveza;
- Mais flutuação;
- Resistência;
- Pranchas para ondas pequenas;
- Facilidade para gerar velocidade.
O PU com epóxi pode atender quem deseja:
- Sensação semelhante à do PU convencional;
- Maior resistência;
- Boa flexibilidade;
- Uma construção equilibrada.
O carbono pode ser escolhido por quem valoriza:
- Peso reduzido;
- Alta resistência;
- Resposta mais rápida;
- Durabilidade;
- Performance em diferentes modelos.
Não existe uma tecnologia universalmente superior. Existe a construção mais adequada para o seu peso, seu nível, suas ondas, sua frequência de surf e seu objetivo.
Quilhas e sistemas de encaixe
Depois de escolher a construção, o surfista também pode definir o sistema de quilhas.
As pranchas podem utilizar quilhas fixas ou removíveis. As quilhas fixas ainda aparecem em alguns modelos específicos, mas os sistemas de encaixe se tornaram muito populares por oferecerem praticidade e possibilidade de alterar o comportamento da prancha.
Os dois sistemas mais conhecidos são FCS e Future.
Sistema FCS
O FCS é um sistema de quilhas removíveis composto por caixas instaladas na prancha e quilhas compatíveis com essas caixas.
Dentro da família FCS, existem diferentes versões, como FCS II e FCS Fusion. Elas possuem características próprias de instalação e encaixe, por isso é importante verificar qual sistema a prancha utiliza antes de comprar as quilhas.
O FCS é valorizado por sua ampla disponibilidade no mercado e pela grande variedade de modelos de quilhas.
Vantagens
- Quilhas fáceis de remover e substituir;
- Grande variedade de opções;
- Praticidade para testar diferentes combinações;
- Disponibilidade em diversos modelos de prancha.
Sistema Future
O Future também é um sistema de quilhas removíveis. Nesse caso, a quilha possui uma base que se encaixa em uma caixa longitudinal instalada na prancha.
A construção de uma peça única entre a base e a quilha proporciona uma conexão firme e uma sensação de resposta direta. O sistema também permite colocar e retirar as quilhas com facilidade, utilizando o parafuso de fixação apropriado.
Vantagens
- Resposta direta;
- Conexão firme;
- Boa transferência de pressão;
- Facilidade de instalação e remoção;
- Diversas opções de templates e tamanhos.
FCS e Future são compatíveis?
Não. Quilhas FCS não se encaixam em caixas Future, e quilhas Future não são compatíveis com sistemas FCS.
Antes de comprar um novo jogo de quilhas, confira o sistema instalado na sua prancha. Também é importante escolher um modelo de quilha compatível com a configuração da prancha — single, twin, thruster, quad ou outra combinação.
A escolha das quilhas pode alterar bastante a sensação do equipamento, influenciando velocidade, estabilidade, controle, soltura e capacidade de manobra.
Pintura em prancha: o que é laminação pigmentada?
A laminação pigmentada é uma técnica em que o pigmento é misturado à resina durante a aplicação sobre o tecido de fibra de vidro.
Na pintura tradicional, a tinta pode ser aplicada diretamente sobre o bloco antes da laminação. Já na laminação pigmentada, a cor passa a fazer parte da camada de resina que envolve a fibra.
Nesse processo, a laminação e a pintura acontecem de maneira integrada:
- A fibra e a resina dão rigidez e estrutura à prancha;
- O pigmento cria o efeito visual;
- A sobreposição de cores pode formar linhas e transparências;
- O acabamento ganha uma estética mais artesanal e exclusiva.
A técnica exige experiência, especialmente quando o projeto envolve mistura de cores, transparências ou diferentes camadas de pigmento.
Vantagens da laminação pigmentada
- Visual exclusivo;
- Cores integradas à laminação;
- Possibilidade de efeitos e sobreposições;
- Estética artesanal;
- Boa durabilidade visual quando bem executada.
O resultado final depende tanto da escolha das cores quanto da habilidade do profissional responsável pela laminação.
Acabamento fosco ou brilhante?
Depois da laminação, a prancha recebe o acabamento final. As duas opções mais comuns são o fosco e o brilho.
Acabamento fosco
O acabamento fosco, ou mate, apresenta uma superfície sem brilho intenso e com aparência mais discreta. Ele normalmente é obtido por meio de lixamento e finalização sem o polimento de alto brilho.
Características do acabamento fosco
- Aparência mais minimalista;
- Menor reflexão da luz;
- Visual mais discreto;
- Pequenos riscos e marcas tendem a ficar menos evidentes;
- Estética mais técnica ou contemporânea.
A sensação de aderência pode variar de acordo com o tipo de superfície, a aplicação de parafina, o deck e o uso de antiderrapante. Por isso, não é possível afirmar que todo acabamento fosco oferece necessariamente mais aderência.
Também é importante lembrar que o acabamento, sozinho, não define a resistência estrutural da prancha. A durabilidade depende principalmente do núcleo, da fibra, da resina, da laminação e dos cuidados de uso.
Acabamento brilhante
O acabamento brilhante é obtido por meio de uma camada final de resina e polimento. Sua superfície lisa e refletiva valoriza as cores, os desenhos e os detalhes da laminação.
Características do acabamento brilhante
- Visual mais marcante;
- Realce das cores;
- Superfície lisa;
- Facilidade para remover resíduos de cera;
- Aparência clássica e sofisticada.
O brilho não transforma a prancha em mais rápida de forma significativa. A velocidade é determinada principalmente pelo shape, pelo volume, pelo fundo, pelo rocker, pelas bordas, pelas quilhas e pelas condições da onda.
Assim como o acabamento fosco, o brilho exige cuidados para evitar riscos, exposição excessiva ao sol e danos causados por calor ou impactos.
Como cuidar da sua prancha nova?
Independentemente da tecnologia escolhida, alguns cuidados ajudam a aumentar a vida útil da prancha:
- Evite deixar a prancha exposta ao sol por longos períodos;
- Não deixe o equipamento dentro do carro fechado e quente;
- Utilize capa adequada para transporte;
- Evite apoiar a prancha diretamente sobre superfícies ásperas;
- Lave a prancha com água doce depois do uso;
- Verifique pequenos amassados, trincas ou infiltrações;
- Faça reparos rapidamente quando houver dano;
- Use resina compatível com o sistema de construção;
- Nunca guarde a prancha molhada dentro da capa por muito tempo.
Mesmo uma prancha resistente pode sofrer danos quando exposta repetidamente a calor, impactos e umidade.
Uma prancha feita para o seu surf
Escolher uma prancha na Sea Club Boards é mais do que escolher um modelo pronto. É entender como cada decisão pode contribuir para o seu surf.
O bloco define parte da sensação e da estrutura. A fibra e a resina influenciam resistência e flexibilidade. O sistema de quilhas altera a resposta. A pintura expressa a identidade visual. O acabamento completa o projeto.
Mas tudo começa com uma conversa: entender quem é o surfista, onde ele surfa, quais ondas procura e o que deseja sentir quando estiver de pé na parede.
Na fábrica da Sea Club, o conhecimento técnico se encontra com a experiência real do mar. O shaper Filipe Affonso participa do desenvolvimento, surfa e testa suas pranchas, buscando transformar materiais, medidas e escolhas de construção em equipamentos que façam sentido para cada surfista.
Porque uma prancha não nasce apenas de um bloco de espuma. Ela nasce da combinação entre projeto, matéria-prima, técnica e conexão com o oceano.
Sea Club Boards — da fábrica para o mar, uma prancha feita para o seu surf.
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